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Maria Francisca

MARIA FRANCISCA. 




8 de janeiro de 2014. Vinha passando pela  Av nossa Senhora de Copacabana quando a figura de uma mulher de cócoras, encostada na parede, chamou a minha atenção. Tinha um porte altivo, daqueles que o tempo não acaba, o rosto apesar de carcomido pelo sol deixava ver que ela, outrora, fora dona de grande beleza. 
O que faria alí? Era uma homeless? Podia se ver que era cega, pelo olhar e pela bengala que trazia junto ao corpo.
Parei e fiquei alí pensando nos pensamentos desta Maria, então resolvi me aproximar. 
Seu nome era Maria Francisca, morava em Caxias, mas vinha para o Rio quase que diariamente para vender lixas de unha, fosforos,  chaveiros e outras bugigangas. Tinha tão pouca coisa na bacia que fiquei imaginando como ela iria fazer para voltar para casa. 
Sua vida é igual a de milhares de outras Marias.
 Casou cedo. Ela e o marido sempre trabalharam . Viviam até bem, deram conta de comprar um barraco pequenino em Caxias e ainda criaram dois filhos. 
O marido morreu em 2001. Dois anos depois tivera uma doença, uma tal de glaucoma, contou, e como não tinha como pagar os remédios acabou perdendo a visão.
 Mora com a filha que não consegue emprego continuo. Reclama que as mulheres de hoje só querem saber de farra e que os homens nāo querem mais assumir nenhum compromisso sério, e ai conta a história da vizinha que sustenta um  malandro, da tia que foi abandonada agora pelo marido, da comadre que pegou o companheiro icom a vizinha e da amiga que se enrolou com um traficante e hoje está na cadeia porque foi entregar uma droga que ele mandou e como paga ela até hoje nem a visita dele recebeu
Histórias amargas, mas verdadeiras, história igual a de muitas Marias brasileiras.
Mas aí ela fica pensativa, sorri e fala assim: - Sabe eu tenho um filho! Meu filho é muito llindo! Meu filho foi para  Paulo. Mora lá. Casou! Quando penso nele eu tenho uma dor no peito, de saudades, eu gosto tanto dele que tenho vontadede chorar. Mas eu não choro mais e nao falo nada, não peço nada pra ele. Ja tem quatro anos que não falo e nem vejo ele. Sabe, minha filha, as noras não gostam  que as mães dos maridos incomodem os filhos. Não quero que ela fique com raiva de mim...




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